terça-feira, 27 de setembro de 2011

Barraca pelos ares

Tarde da noite. Camping Humaitá, Bertioga. Silencio total. Os únicos sons daquela madrugada fresca eram os coachar dos sapos e pererecas e o cricri dos grilos. Aqui e ali ouviam-se uns roncos e uns puns mais atrevidos, vindos das barracas erguidas quase em cima umas das outras, tal era o modismo no fim dos anos 70 e inicio dos anos 80. Também era possível ouvir respira pés ofegantes de casais que insistiam em testar a inviolabilidade das lonas. Por certo caíram na conversa do vendedor de barracas, que garantia total privacidade entre as paredes de 'prástico' impermeável.

Pois bem. Naquela madrugada os barulhos rotineiros do Humaitá foram abafados por um cloclocló constante e irritante vindo do extremo norte daquele cupinzeiro de gente envelopada em todos os tipos de barraca. O tal cloclocló ininterrupto era acompanhado de risos altos, vozes em coro desafinado, gritos e outras manifestações típicas de algazarra. Uma da madrugada. Duas da madrugada. Três horas. E nada do cloclocló parar. 'Caralho, essa gente não dorme, droga!', certamente esse foi o grunhido geral no camping naquela data.

Um campista irritado, com olheiras profundas, cara de travesseiro amassado e, pasmem!, pijama de cordinha (em plena praia), resolve colocar um fim no cloclocló. Com um copo de plástico na mão, educadamente se aproxima do grupo entretido em acirrada partida de war (excelente jogo de estratégia) e propõe trocar o copo de vidro usado para mexer os dados pelo de plástico, menos barulhento. 'Assim, todos podemos dormir e vocês continuam jogando sem atrapalhar nosso descanso. Sugiro que vocês também falem mais baixo e respeitem os demais campistas'. Dito isso, o pijameiro, gordo, careca, uma mistura de Jô Soares com Faustao (ó loco, meu), deixa o copo de plástico mole (aquele em que servem chope quente em festinhas de aniversario) sai e não ouve a praga lançada pelo terrível Pedro:
- Volta pra sua barraca, gordo! Tomara que amanhã sua barraca exploda!

Oito horas. Camping acordado. Todo mundo indo para a praia. De repente, boom! Uma barraca explode. Vazamento de gás. A cena, hilária: o gordo, ainda com seu pijama de cordinha, sentado em um banquinho, caneca de café na mão e atrás de si os ferros de armação da barraca, que virou cinza. FOI A VINGANÇA DO CLOCLOCLÓ!!!

2 comentários:

  1. Lembrar que sempre chovia( o repique), não tinha mais nada para fazer a não ser virar dia e noite jogando!!

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  2. Próximo capítulo: o dilema do nascimento.

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