sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz aniversário, pai

No mesmo dia em que o mundo festeja o término de mais um ano, alguém muito especial festejará mais um ano de vida. Especial para mim, sua filha, especial para todos os seus filhos, especial para os netos, especial para os bisnetos, irmãos, cunhadas, sobrinhos, amigos. Neste 31 de dezembro, antes da chegada do réveillon, você, meu pai, é reverenciado como o melhor pai do mundo. E como diz o Ramón, se nos fosse dada a oportunidade de escolher quem gostaríamos de ter como progenitor, não há dúvidas: você, meu pai. Por isso, nesta data tão importante, OBRIGADA por...

Por ter me entendido enquanto eu crescia
e por ter aceitado minhas tão rápidas mudanças.
Deve ter sido difícil manter-se em calma comigo,
mas você sempre tentou e quase sempre conseguiu.

Por ter me ouvido e ter me dado claras e breves respostas
às dúvidas e perguntas que eu levava a você.
Por ter reforçado minha confiança para continuar
revelando meus pensamentos e sentimentos.

Por ter me aplaudido quando fui verdadeiro,
por ter me compreendido quando eu disse mentiras,
por ter me provado que elas maculam nosso caráter.

Por ter me falado sobre os seus erros e sobre
as coisas que você aprendeu com eles.
Isso fez com que eu aceitasse meus próprios
erros, que também aprendesse e que me perdoasse.

Por prestar-me atenção e gastar tão grande
parte do seu tempo comigo.
Isso levou-me a acreditar que sou importante
e que tenho muito valor.

Por agir sempre do modo que desejou que eu agisse.
Foi assim que você me deu um modelo positivo para seguir.

Por confiar em mim e me respeitar mesmo
quando eu era menor do que você.
Por ter considerado meus sentimentos e necessidades,
e ter me mostrado muitas vezes
que elas eram semelhantes às suas.

Pelos elogios e pelos incentivos.
Foi sempre por isso que eu me senti bom
e quis continuar sendo digno da sua fé em mim.

Por ajudar-me a explorar meus talentos e potenciais.
Por ter me ensinado que para ser feliz
eu tinha que ser eu mesmo e não como você
ou igual a outros que você admirava.

Por ser você mesmo e por não desistir da felicidade.
Com isso eu aprendi a buscar uma vida feliz,
bem sucedida e satisfatória.

Obrigado, Pai
Por sempre ter me ouvido.

Ouça-me mais uma vez agora :
EU AMO VOCÊ, PAI!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mais um... ou melhor, mais uma





A cena se repete há anos. Todos reunidos, falando ao mesmo tempo, sorvendo goles e goles de vinho, rindo, comendo, bebendo, rindo, comendo. Assim tem sido a ceia de Natal em família. Muita gente, uma mistura de famílias, de ideias, conceitos e comportamentos. A cada data, uns aparecem, outros se ausentam, novidades chegam. Desta vez, registrada a presença do mais novo integrante: Isabella, de apenas 10 dias.

Lógico, está alheia ao burburinho no andar de baixo. Todos, no entanto, não estão alheios a ela. Pelo vídeo-babá, a cada instante um olhar ao monitor para vê-la. Sono profundo, pernas entrelaçadas e braços recolhidos junto ao rosto. Não está nem aí para a missa do Galo. Nem para o camarão ao thermidor (por que será que tem esse nome?), as lulas na tinta ou para o bacalhau (ou essência de, segundo Ramón, para provocar a cozinheira) afogado no azeite, pernil, peru, maionese e quatro quilos de panetone.

Isabella integra a quarta geração dos Nicolás. Chega mansinha, quieta, silenciosa. Pequenina. Não se a referência for a mãe. Em poucos anos, já a terá ultrapassado, com certeza. Incrível, mas essa família nunca envelhece: sempre tem rebento a assegurar a fonte da juventude do clã, uma espécie de fonte Ponce de Leon. Uma odisseia, por enquanto, de 80 anos, entre o bisavô (ou yayo-yayo) e a mais recente princesinha.

Por um instante, na mente de todos passa um filme. De como tudo começou, de como cada um foi entrando no clã, uns por laços sanguíneos, outros por laços afetivos, todos, enfim, por laços de nós tão apertados que jamais se soltarão. Os patriarcas, entre garfadas de macarrão de frango e pãozinho com berinjela, olham com admiração a prole constituída. Constituída em forma de fortaleza, cada qual enveredando por um caminho em trilhas bem assentadas e sem armadilhas. Orgulho, satisfação de quem apostou firmar a bandeira familiar em terras tupiniquins numa aventura desconhecida pós-guerra civil espanhola.

Do navio zarpando do porto de Barcelona, olhando para cais e para os parentes que ali ficaram, passaram-se 56, 57, 58 anos. O medo da partida diluiu-se nas águas do Atlântico, transformando a terra do Pau-Brasil em solo fértil, de conquista, de engrandecimento, de construção. A construção de uma família de 0 a 80 anos de vidas. Uma família sempre em construção, porque a quarta geração não termina com Isabella.